

O Brasil está em vias de completar cinco séculos de existência
aos olhos do mundo europeu. São os já conhecidos 500 anos
de seu descobrimento, que serão comemorados oficialmente em abril
de 2000. Como em qualquer data importante, o momento é oportuno
para um balanço e uma reflexão. O balanço poderia
resultar muito parcial, se se prendesse exclusivamente a fatos econômicos
e a dados sociais circunstanciais. Por isso, faz-se necessário,
neste caso, considerar a questão de quem somos hoje. Tendo isso
em mente, e contando com o apoio obrigatório dos fragmentos abaixo,
escreva uma dissertação sobre o tema
|
|
2. ... a despeito de nossa riqueza aparente, somos uma nação
pobre em sua generalidade, onde a distribuição do dinheiro
é viciosa, onde a posse das terras é anacrônica. Aquele
anda nas mãos dos negociantes estrangeiros; estas sob o tacão
de alguns senhores feudais. A grande massa da população,
espoliada por dois lados, arredada do comércio e da lavoura, neste
país essencialmente agrícola, como se costuma dizer, moureja
por ali abatida e faminta, não tendo outra indústria em que
trabalhe; pois que até os palitos e os paus de vassoura mandam-lhe
vir do estrangeiro.
(...) povo educado, como um rebanho mole e automático, sob a
vergasta do poder absoluto, vibrada pelos governadores, vice-reis, capitães-mores
e pelos padres da companhia; povo flagelado por todas as extorsões
– nunca fomos, nem somos ainda uma nação culta, livre e original.
(Romero, Sílvio. História da Literatura Brasileira. 1881.)
3. O Brasil surge e se edifica a si mesmo, mas não em razão do desígnio de seus colonizadores. Eles só nos queriam como feitoria lucrativa. Contrariando as suas expectativas, nos erguemos, imprudentes, inesperadamente, como um novo povo, distinto de quantos haja, deles inclusive, na busca de nosso ser e de nosso destino. (...) Somos um povo novo, vale dizer um gênero singular de gente marcada por nossas matrizes, mas diferente de todas, sem caminho de retorno a qualquer delas. Esta singularidade nos condena a nos inventarmos a nós mesmos, uma vez que já não somos indígenas, nem transplantes ultramarinos de Portugal ou da África. (Ribeiro, Darcy. O Brasil como problema.1995.)
4. Não conhecemos proletariado, nem fortunas colossais
que jamais se hão de acumular entre nós, graças aos
nossos hábitos e sistema de sucessão. Nem argentarismo, pior
que a tirania, nem pauperismo, pior que a escravidão.
(...)
O Brasil jamais provocou, jamais agrediu, jamais lesou, jamais humilhou
outras nações.
(...)
A estatística dos crimes depõe muito em favor dos nossos
costumes. Viaja-se pelo sertão sem armas, com plena segurança,
topando sempre gente simples, honesta, serviçal.
Os homens de Estado costumam deixar o poder mais pobres do que nele
entraram. Magistrados subalternos, insuficientemente remunerados, sustentam
terríveis lutas obscuras, em prol da justiça, contra potentados
locais. (...) Quase todos os homens políticos brasileiros legam
a miséria a suas famílias. (Affonso Celso. Porque me ufano
de meu país. 1900.)
5. (…) Se tu vencesses Calabar! / Se em vez de portugueses, / ? holandeses!? / Ai de nós! / Ai de nós sem as coisas deliciosas que em nós moram: / redes, / rezas, / novenas, / procissões, ? / e essa tristeza, Calabar, / e essa alegria danada, que se sente / subindo, balançando, a alma da gente. / Calabar, tu não sentiste / essa alegria gostosa de ser triste! (Lima, Jorge de. Poesia Completa, vol. 1.)
6. O pau-brasil foi o primeiro monopólio estatal do Brasil:
só a metrópole podia explorá-lo (ou terceirizar o
empreendimento). Seria, também, o mais duradouro dos cartéis:
a exploração só foi aberta à iniciativa privada
em 1872, quando as reservas já haviam escasseado brutalmente. Exploração
não é o termo: o que houve foi uma devastação,
com a derrubada de 70 milhões de árvores. Como que confirmando
a vocação simbólica, o pau-brasil seria usado, em
setembro de 1826, para o pagamento dos juros do primeiro empréstimo
externo tomado pelo Brasil. Ao deparar com o Tesouro Nacional desprovido
de ouro, d. Pedro I enviou à Inglaterra 50 quintais (3t) de toras
de pau-brasil para leiloá-las em Londres. A esperança do
Imperador de saldar a dívida com o “pau-de-tinta” esbarrou numa
inovação tecnológica: o advento da indústria
de anilinas reduzira em muito o valor da árvore-símbolo do
Brasil. Os juros foram pagos com atraso. Em dinheiro, não em paus.
(Bueno, E. (org). História do Brasil. Empresa Folha da Manhã.
2ª ed. 1997.)
7. Jamais se saberá com certeza, mas quando os portugueses
chegaram à Bahia, os índios brasileiros somavam mais de 2
milhões - quase três, segundo alguns autores. Agora, dizimados
por gripe, sarampo e varíola, escravizados aos milhares e exterminados
pelas guerras tribais e pelo avanço da civilização,
não passam de 325.652 - menos do que dois Maracanãs lotados.
(...) A idade média dos índios brasileiros é de 17,5
anos, porque mais da metade da população tem menos de 15
anos. A expectativa de vida é de 45,6 anos, e a mortalidade infantil
é de 150 para cada mil nascidos. Existem pelo menos 50 grupos que
jamais mantiveram contato com o homem branco, 41 dos quais nem sequer se
sabe onde vivem, embora seu destino já pareça traçado:
a extinção os persegue e ameaça. (Bueno, E. (org).
História do Brasil. Empresa Folha da Manhã. 2ª ed.
1997.)
8. Há um Código de Defesa do Consumidor, há
leis que cuidam do racismo, do direito de greve, dos crimes hediondos,
do juizado de pequenas causas, do sigilo da conversação telefônica,
da tortura, etc. O país cresceu. (Carvalho Filho, L. F. Folha
de S. Paulo. 3 de outubro de 1998.)
Imagine-se nesta situação: um dia, ao invés de encontrar-se no ano de 1998, você (mantendo os conhecimentos de que dispomos em nossa época) está em abril de 1500, participando de alguma forma do seguinte episódio relatado por Pero Vaz de Caminha:
“Viu um deles [índios] umas contas de rosário, brancas;
acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço.
Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e então
para as contas e para o colar do capitão, como que dariam ouro por
aquilo. Isto tomávamos nós assim por o desejarmos; mas se
ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não
queríamos nós entender, porque não lho havíamos
de dar.” (Caminha, Pero Vaz de. Carta a El Rey Dom Manuel.)
|
b) fazer aparecer as diferenças culturais entre as três partes: você, que veio do final do século XX, os índios e os portugueses da época do descobrimento. |
Faça de conta que você tem um amigo em Portugal que confia
muito em você e que estava pensando em passar uma temporada no Brasil
e talvez até em migrar. Suponha também que, recentemente,
ele lhe tenha escrito uma carta dizendo que está pensando em abandonar
tal projeto, em conseqüência das notícias sobre o Brasil
que tem lido ultimamente. Para justificar-se, ele incluiu na carta a seguinte
amostra de manchetes, que o impressionaram, publicadas com destaque em
menos de um mês, em um único jornal:
| - FALTAM ÁGUA, LUZ E TELEFONE NAS ESCOLAS, DIZ PESQUISA
DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (Folha de S. Paulo,
16 de setembro de 1998)
- METADE DOS ELEITORES NÃO TÊM 1O. GRAU (Folha de S. Paulo, 20 de outubro de 1998) - BRASIL É CAMPEÃO DE CASOS DE DENGUE, LEPRA E LEPTOSPIROSE
NAS AMÉRICAS
- MISERÁVEIS SÃO 25 MILHÕES (Folha de S. Paulo, 26 de setembro de 1998) - 83% SÃO ANALFABETOS FUNCIONAIS (Folha de S. Paulo, 26 de setembro de 1998) - PARTOS DE MENINAS AUMENTARAM 81% NO RIO (Folha de S. Paulo, 29 de setembro de 1998) - SP DESPEJA NA RUA UM TERÇO DE SEU LIXO (Folha de S. Paulo, 4 de outubro de 1998) |
| Escreva-lhe uma carta na qual, colocando em discussão as manchetes acima, você tenta convencê-lo de que, apesar de haver de fato problemas, a imagem que se faz de nosso país, a partir do noticiário, é parcial, e que, portanto, continua valendo a pena vir para o Brasil. |
1. A base da tese de que o Brasil teria sido descoberto por Duarte Pacheco em 1498 gira em torno de seu manuscrito intitulado “Esmeraldo de situ orbis” produzido entre 1505 e 1508. Trata-se de um relato das viagens de Duarte Pacheco não só ao Brasil como também à costa da África, principal fonte de riqueza de Portugal no século XV. O rei Dom Manoel I considerou tão valiosas as informações náuticas, geográficas e econômicas contidas no documento que jamais permitiu que este fosse tornado público. (Adaptado de: IstoÉ. 26 de novembro de 1997. pp. 65 – 66.)
a) Em que o relato de Duarte Pacheco altera a versão oficial
do descobrimento do Brasil?
b) Por que, no contexto da expansão ultramarina, Portugal
procurou manter este relato em segredo?
c) Quais os interesses de Portugal com a expansão ultramarina?
2. Em 13 de dezembro de 1968, o governo brasileiro promulgou o Ato Institucional no 5, que, segundo opiniões da época, transformava o regime militar em uma ditadura “sem disfarces”.
a) Qual o pretexto utilizado pelo regime militar para editar
esse Ato?
b) Cite duas das principais medidas adotadas por esse Ato.
c) Caracterize dois elementos da democracia que a diferenciam
da ditadura.
3. Na viagem do descobrimento, a frota de Cabral precisou navegar
contra o vento uma boa parte do tempo. Isso só foi possível
graças à tecnologia de transportes marítimos mais
moderna da época: as caravelas. Nelas, o perfil das velas é
tal que a direção do movimento pode formar um ângulo
agudo com a direção do vento, como indicado pelo diagrama
de forças abaixo:
Considere uma caravela com massa de 20000 kg.
a) Utilizando a régua que você recebeu, reproduza
o diagrama de forças no caderno de respostas e determine módulo,
direção e sentido da força resultante.
b) Calcule a aceleração da caravela.
4. Um técnico em eletricidade notou que a lâmpada
que ele havia retirado do almoxarifado tinha seus valores nominais (valores
impressos no bulbo) um tanto apagados. Pôde ver que a tensão
nominal era de 130 V, mas não pôde ler o valor da potência.
Ele obteve, então, através de medições em sua
oficina, o seguinte gráfico:
a) Determine a potência nominal da lâmpada a partir
do gráfico acima.
b) Calcule a corrente na lâmpada para os valores nominais
de potência e tensão.
c) Calcule a resistência da lâmpada quando ligada
na tensão nominal.
5. Cada marinheiro da esquadra de Cabral recebia mensalmente para suas refeições 15 kg de carne salgada, cebola, vinagre, azeite e 12 kg de biscoito. O vinagre era usado nas refeições e para desinfetar o porão, no qual, acreditava-se, escondia-se a mais temível enfermidade da vida no mar. A partir do século XVIII essa doença foi evitada com a introdução de frutas ácidas na dieta dos marinheiros. Hoje sabe-se que essa doença era causada pela deficiência de um nutriente essencial na dieta. (Adaptado de: Bueno, E. A viagem do descobrimento. Rio de Janeiro. Objetiva. 1998.)
a) Que nutriente é esse?
b) Que doença é causada pela falta desse nutriente?
c) Cite duas manifestações aparentes ou sintomas
dessa doença.
6. A produtividade primária em um ecossistema pode ser avaliada de várias formas. Nos oceanos, um dos métodos para medir a produtividade primária utiliza garrafas transparentes e garrafas escuras, totalmente preenchidas com água do mar, fechadas e mantidas em ambiente iluminado. Após um tempo de incubação, mede-se o volume de oxigênio dissolvido na água das garrafas. Os valores obtidos são relacionados à fotossíntese e à respiração.
a) Por que o volume de oxigênio é utilizado
na avaliação da produtividade primária?
b) Explique por que é necessário realizar
testes com os dois tipos de garrafas.
c) Quais são os organismos presentes na água
do mar responsáveis pela produtividade primária?
7. Um dos grandes problemas das navegações do
século XVI referia-se à limitação de água
potável que era possível transportar numa embarcação.
Imagine uma situação de emergência em que restaram
apenas 300 litros (L) de água potável (considere-a completamente
isenta de eletrólitos). A água do mar não é
apropriada para o consumo devido à grande concentração
de NaCl (25g / L), porém o soro fisiológico ( 10g NaCl /
L) é. Se os navegantes tivessem conhecimento da composição
do soro fisiológico, poderiam usar a água potável
para diluir água do mar de modo a obter soro e assim teriam um volume
maior de líquido para beber.
a) Que volume total de soro seria obtido com a diluição
se todos os 300 litros de água potável fossem usados para
este fim?
b) Considerando-se a presença de 50 pessoas na embarcação
e admitindo-se uma distribuição eqüitativa do soro,
quantos gramas de NaCl teriam sido ingeridos por cada pessoa?
c) Uma maneira que os navegadores usavam para obter água
potável adicional era recolher água de chuva. Considerando-se
que a água da chuva é originária, em grande parte,
da água do mar, como se explica que ela possa ser usada como água
potável?
8. Após tomar posse das terras “brasileiras”, Cabral seguiu para as Índias, onde se envolveu em um conflito, acabando por bombardear, ininterruptamente, a cidade de Calicut, durante dois dias. A pólvora usada pelos portugueses naquele tempo apresentava aproximadamente a seguinte composição em massa: 66% de nitrato de potássio, 24% de carvão e o restante, enxofre.
a) O oxigênio necessário para a reação
explosiva que ocorre com a pólvora é oriundo apenas
de um de seus componentes. Escreva a fórmula química deste
componente.
b) Considerando a combustão completa de 1,0 kg de pólvora,
calcule nas condições normais de pressão e temperatura
o volume de gás carbônico formado nessa reação.
(Massa molar do carbono = 12 g mol-1)
c) Desenhe um gráfico que represente esquematicamente
a variação da pressão no interior do canhão,
em função do tempo, desde o momento em que foi aceso o pavio
até depois da saída da bala pela boca do canhão.
9. Pero Vaz de Caminha, na carta enviada ao Rei de Portugal,
afirma:
Esta Terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o Sul
vimos, até outra ponta que contra o Norte vem, será tamanha
que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa.
a) Admitindo-se que a légua a que se refere Caminha seja
a légua marítima e que esta equivale a 6.350 metros, qual
seria o maior valor, em quilômetros, estimado para a costa?
b) No final do século XV admitia-se que a distância,
ao longo do equador, entre dois meridianos que compreendem 1o
era de 17,5 léguas marítimas. A partir desses
dados, calcule o comprimento do equador, apresentando o resultado em metros.
c) A latitude da Baía de Todos os Santos, medida na época
do descobrimento, era de 15o 40 ' sul.
O valor aceito atualmente para a latitude do mesmo local é de 12o
54 ' sul. Calcule o erro cometido, em graus e minutos. Além disso,
diga se a medida da época localizava a Baía de Todos os Santos
ao norte ou ao sul em relação à localização
aceita atualmente.
10. Um torneio de futebol foi disputado por quatro equipes em dois turnos,
isto é, cada equipe jogou duas vezes com cada uma das outras. Pelo
regulamento do torneio, para cada vitória são atribuídos
3 pontos ao vencedor e nenhum ponto ao perdedor. No caso de empate, um
ponto para cada equipe. A classificação final no torneio
foi a seguinte:
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
11. Ao desembarcar na América, em 1500, o colonizador português deparou-se com um meio geográfico completamente diferente do seu. Contudo, é exagerado afirmar que o colono europeu teve muitas dificuldades para adaptar-se às áreas tropicais. Realmente, povos oriundos de climas frios, e por isso afeiçoados a eles, geralmente sofrem mais nas zonas climáticas quentes. Entretanto, o europeu encontrou fortes estímulos que compensaram esse desconforto climático. Não veio para a zona tropical para ser trabalhador, mas para ser dirigente da produção mercantil. (Adaptado de: Prado Júnior, C. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo. Brasiliense. 1961. pp 13 –26.)
a) Quais foram os estímulos encontrados pelo colonizador
português para que viesse para o Brasil e aqui permanecesse?
b) Caracterize a relação de trabalho fundamental
que se estabeleceu na colônia.
c) Por que, durante o período colonial, a população
de origem portuguesa no Brasil se concentrou basicamente no litoral?
12.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
(Adaptado de: Margat, Jean-François. A água, ameaçada pelas atividades humanas. In Wikowski, N. (coord). Ciência e tecnologia hoje. S. Paulo. Ensaio. 1994. p.57–59.)
De acordo com a tabela apresentada acima, mais da metade do volume de água utilizado pelo homem não é restituída com qualidade para o consumo humano.
a) Explique por que isto ocorre.
b) Cite duas causas e duas conseqüências do aumento
mundial do consumo de água doce.
c) Cite duas medidas que podem ser tomadas para um uso mais
racional da água doce do planeta.
|